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Marcelo Teles
06 de Junho de 2011Grimsvötn, Popocatépetl e as cinzas que vêm para o bem
Marcelo Oliveira Teles de Menezes é biólogo, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFCE / Campus Sobral.
Há quem não acredite, mas as mudanças climáticas já estão ocorrendo em todo o mundo. Dados de monitoramento ambiental mostram precipitações anômalas, secas inesperadas, enchentes e elevação do nível do mar em diferentes regiões do mundo. O clima está desregulado e a ciência atribui esse fenômeno direta ou indiretamente ao aquecimento global.
No entanto, apesar de todas as mudanças, a temperatura parece não ter aumentado como o IPCC previu há alguns anos. Porquê? O IPCC estava errado? Sim e não: Dados medidos em campo mostram que de fato passamos por um período de aquecimento. No entanto, o aquecimento não necessariamente se manifesta através do aumento da temperatura.
O calor adicional que temos recebido ultimamente não tem aumentado a temperatura atmosférica porque ele está sendo “roubado” pelo gelo dos pólos e das montanhas. Enquanto houver gelo para roubar o calor, a temperatura atmosférica e dos oceanos não aumentará bruscamente. Haverá problema se um dia todo o gelo tiver derretido e não houver mais quem reflita radiação solar nem absorva calor. A temperatura começará a oscilar cada vez mais até atingir um novo estado de equilíbrio climático, mais quente – o temido aquecimento global.
Acontece que as geleiras montanas e o gelo polar têm derretido em ritmo assustador nas últimas décadas, como mostram diversos relatórios técnicos, documentários televisivos, etc. Toda a redução nas emissões carbônicas que conseguimos até agora não está sendo suficiente para impedir seu derretimento, e vemos o verdadeiro aquecimento global se aproximar cada vez mais.
No entanto, de vez em quando recebemos uma pequena “ajuda” da natureza, adiando o derretimento das geleiras. Trata-se das erupções vulcânicas. As cinzas emitidas pelos vulcões ficam em suspensão na atmosfera, absorvendo e refletindo radiação solar. O resultado é que menos radiação chega à superfície terrestre, e a Terra esquenta menos. É como se por algumas semanas ou meses o planeta ficasse protegido por um “guarda-sol”.
Aparentemente isso é insignificante, mas o monitoramento climático tem mostrado que a temperatura (em várias regiões do planeta) diminui nos anos seguintes às grandes erupções vulcânicas, sugerindo que os vulcões têm importante ação de resfriamento no planeta, assim como as geleiras e calotas polares.
Esses nomes esquisitos no título do artigo não são por acaso – há poucos dias, o vulcão Popocatépetl (México) emitiu nuvens de cinzas que atingiram 3 km de altura, e há cerca de duas semanas, o vulcão Grimsvötn entrou em erupção na Islândia, por aproximadamente 5 dias, formando uma nuvem de cinzas com até 20 quilômetros de altura.
Felizmente, nenhum dos dois causou danos às populações locais. Alguns aeroportos europeus tiveram que cancelar vôos, causando transtornos e prejuízos a várias pessoas e às companhias aéreas. No entanto, deveríamos estar gratos, pois esses inconvenientes nada representam diante de todos os graves problemas que o aquecimento global pode causar, e afinal de contas, temos alguns anos a mais para negociar reduções de emissões carbônicas e outras formas de mitigação do fenômeno.
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