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Iniciativas Sustentáveis

Sustentabilidade no Semiárido

30 de Abril de 2010 | Sustentabilidade no Semiárido

O que é sustentabilidade?

Termo bastante utilizado oriundo da expressão desenvolvimento sustentável, que se refere com um processo que permite a utilização racional dos recursos para estas e as gerações futuras. Esse conceito surge da orientação para uma reorganização da humanidade, que vem enfrentando novos paradigmas desde que se começou a falar em uma crise ambiental.

A definição mais conhecida está presente no Relatório Nosso Futuro Comum (1987), elaborado pela ministra Ro Brundtland das Organizações das Nações Unidas: “desenvolvimento sustentável é aquele capaz de atender as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderam suas próprias necessidades. Tipo de desenvolvimento capaz de manter o progresso humano em todo o planeta e até um futuro longínquo. Em essência, se caracteriza num processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas”.

Houve eventos importantes para a construção do debate sobre meio ambiente, como a Conferência de Estocolmo (1972), mas foi durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92, que o discurso de desenvolvimento sustentável ganhou maior notabilidade.

Podemos dizer que sustentabilidade representa a exploração racional dos recursos, minimizando os danos causados ao meio ambiente e as comunidades humanas, visando um equilíbrio entre esses componentes. E pela primeira vez vem se trabalhando as questões ambientais em uma esfera global, pois envolve dimensões sociais, ecológicas e econômicas.

Apesar de permanecerem até hoje algumas divergências sobre os conteúdos e significados de um desenvolvi¬mento sustentável, existem avanços significativos na formulação de alguns critérios e princípios de sustenta¬bilidade. Pode-se considerar que o desenvolvimento com sustentabilidade se baseia na transformação das relações entre a sociedade e a natureza, buscando a harmonia entre o bem-estar do ser humano e o meio ambiente, fruto de uma consci¬ência ecológica. A dimensão social da sustentabilidade expressa a perspectiva includente do desenvolvimento como estratégia de redução das disparidades de renda e de riqueza, visando a homogenei¬dade social. Submetida a essa orientação sociocultural e ambiental, a sustentabilidade econômica é a promoção do crescimento das forças produtivas e da produtividade ambientalmente equilibrada, com a construção de novas dinâmicas de geração e de redistribuição social das riquezas, incentivando atividades produtivas adaptadas às condições ecológicas de cada território, baseando-se na utilização racional dos recursos naturais e na valo¬rização do trabalho humano. A sustentabilidade política é explicitada num processo contínuo e participativo de conquista da cidadania, com a democracia definida em termos de apropriação universal dos direitos humanos, incluindo a capacidade de participação na formulação e implementação de projetos de desenvolvimento.

A sustentabilidade ecológica remonta à conservação dos ecossistemas, da diversidade biológica e o manejo adequado dos recursos naturais.

A implantação de ações sustentáveis possibilita pautadas nos princípios básicos de sustentabilidade, resultam na satisfação das necessidades básicas e distribuição equitativa das riquezas. A sustentabilidade pode ser considerada também como um princípio ético e não existindo, portanto, uma única definição do que venha a ser sustentável.

Ainda há uma lacuna sobre como se empregar esse conceito na prática e muitos são os desafios encontrados, principalmente dado ao pouco tempo em que se vem trabalhando esses conceitos.

Sustentabilidade no Semiárido

O semiárido brasileiro tem sua maior extensão no Nordeste do país é considerado um dos maiores do planeta. É marcado por características peculiares, principalmente climáticas e socioeconômicas, e é também considerado um dos mais populosos do mundo.

Pensar em sustentabilidade no semiárido é antes de tudo pensar num modelo que inclua a ampliação da participação democrática da sociedade, que são os próprios atores desse processo. É ter uma sociedade justa e ecologicamente equilibrada, com diminuição da pobreza e fome, garantias à educação, alternativas aos períodos de seca e estiagem e políticas para adequadas a distribuição dos recursos hídricos.

Segundo Silva (2007) a partir da década de 1980, no processo de redemocratização da sociedade brasileira, passou-se a buscar alternativas para o desen¬volvimento no Semiárido brasileiro. Organizações da sociedade civil e algumas instituições públicas de pesqui¬sa e extensão passaram a formular propostas e realizar projetos com base na idéia de que é possível e necessário conviver com o Semiárido. As novas tecnologias de captação e armazenamento de água de chuva, o manejo sustentado da caatinga, as tecnologias alternativas de produção e a educação contextualizada, entre outras, geraram novos referenciais para a convivência. Diante do descrédito nas ações de combate à seca, programas governamentais passaram também a reproduzir esse discurso da sustentabilidade.

Articuladas à emergência de um novo paradigma de sustentabilidade, ocorrem mudanças nas concepções e perspectivas de intervenção no Semiárido brasileiro, como um espaço onde é possível construir ou resgatar relações de convivência com base na sustentabilidade ambiental, na qualidade de vida das famílias sertanejas e no incentivo às atividades econômicas apropriadas. Os novos idealizadores da proposta da con¬vivência são organizações da sociedade civil e alguns órgãos públicos de pesquisa e extensão que atuam no Semiárido. Esses atores vêm se colocando o desafio de influenciar e disputar os processos de formulação de políticas públicas na região.
Nessa perspectiva, diversas organizações não-governamentais vêm formulando e realizando projetos de manejo sustentável dos recursos naturais, de uma produção apropriada e da melhoria das condições so¬cioculturais da população sertaneja, além de trabalhos educativos.

Desde que se começou a falar em sustentabilidade, os vários ramos da economia começam a adequar seus projetos e atividades seguindo os princípios de sustentabilidade. Incluem-se desde ações como a reciclagem do lixo e economia de energia, até o envolvimento de empreendimentos mais complexos como na construção civil e arquitetura, agricultura, indústria e uso da água.

Um projeto ou ação socioambiental é aquele em que é possível oferecer garantias de promoção do bem estar social e econômico para estas e as futuras gerações das comunidades que vivem na região afetada, mantendo a capacidade do meio ambiente de equilibrar-se e regenerar-se, mesmo diante da intervenção do homem e exploração dos recursos.

Fontes:
BRASIL, Ministério da Integração Nacional. Projeto Áridas. Cenário de Desenvolvimento Sustentável.
CAMARGO, Ana Luíza de Brasil. Desenvolvimento sustentável: dimensões e desafios. Papirus, 2003.
LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade e poder. Vozes, 2001.
SILVA, Roberto Marinho Alves. Entre o Combate à Seca e a Convivência com o Semi-Árido: políticas públicas e transição paradigmática. Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 38, nº 3, jul-set. 2007

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