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E os limites para o crescimento?
por Marcelo Teles

22 de Dezembro de 2011

Biólogo, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFCE / Campus Sobral.

Em condições ideais, toda população biológica tende a crescer em progressão geométrica. No entanto, devido à limitação de alimentos, espaço e outros recursos, a velocidade de crescimento diminui gradualmente, até que a população se estabilize.


Malthus e Darwin previram este fenômeno, que se aplica a todas os seres vivos, inclusive à seres humanos. De fato, desde a revolução industrial até os dias atuais, a humanidade tem experimentado um período de intenso crescimento.


Malthus sugeriu que a limitação de alimentos seria um controle natural para a população humana. Mas devido à mecanização da agricultura e da pecuária isso não ocorreu. Avanços na medicina também têm grande contribuição no aumento contínuo da população mundial.


Mas então, a humanidade vai crescer infinitamente? Quantos seres humanos a Terra suporta? Entraremos em crise ou a humanidade se estabilizará naturalmente, como vem ocorrendo em países desenvolvidos? Graças à tecnologia, é possível produzir alimentos e medicamentos suficientes para 7 bilhões de pessoas. Mas como fica a “pegada ecológica” de todo esse pessoal?
Causamos muita degradação ambiental (que volta para nós em forma de inúmeros problemas sociais, ambientais e econômicos). Importantes pensadores da atualidade, como James Lovelock, Jared Diamond e Desmond Morris, acreditam que a plena sustentabilidade não é possível com essa quantidade de pessoas em um único planeta Terra. Nem mesmo com as “tecnologias limpas”. Pois por menores que sejam seus impactos, quando praticadas em escala planetária, elas também acabam causando problemas ambientais. E ainda não temos solução tecnológica para problemas como o aquecimento global, poluição hídrica, desertificação, disposição de resíduos sólidos, extinção das espécies, dentre outros.


Nos resta racionar recursos, reutilizá-los, reduzir emissões, reduzir padrões de consumo, etc. Mas precisamos de um mínimo para sobreviver vai chegar um momento no qual não será mais possível reduzir. Nesse momento, ou passaremos necessidades ou a população mundial declinará, por bem ou por mal.


Espera um pouco... “por bem ou por mal”? É melhor que seja por bem. Nem precisamos passar por uma grande crise socioambiental nem precisamos impor o controle de natalidade. A difusão de métodos anticoncepcionais, do planejamento familiar e de incentivo ao controle voluntário podem fazer grande diferença, especialmente em países “subdesenvolvidos”.


Então... quantos seres humanos a Terra suporta? Em quantos “bilhões” de pessoas a humanidade vai se estabilizar? A julgar pela quantidade de problemas ambientais que enfrentamos, parece que estamos próximos ao limite. A não ser que as nações adotem políticas populacionais robustas, estamos nos arriscando a descobrir o limite da pior forma possível, em um futuro não muito distante.
 

 

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