Estados
Use o menu abaixo para ver o que já foi publicado sobre cada um dos Estados que compõem o Semiárido Brasileiro.
Biodiversidade e Vegetação do Semiárido
História ecológica de degradação
Estima-se que mais 36 milhões de pessoas habitem o semiárido brasileiro e dependam de forma direta ou indireta dos recursos naturais da região, os quais, muitas vezes são explorados de forma não-sustentável.
O crescimento da população tem levado a uma pressão cada vez maior sobre os recursos naturais, alterando ou suprimindo a presença de algumas espécies, modificando a estrutura das populações e alterando os fatores abióticos, com interferências diretas na paisagem por meio de ações como irrigação e terraplanagem.
O desmatamento é principal causador da fragmentação da vegetação remanescente, deixando essas áreas susceptíveis ao fogo, à colonização por espécies invasoras e conseqüentemente à redução da biodiversidade endêmica.
Entre os principais impactos atuais na vegetação nativa, está a agricultura baseada em corte e na queima, a extração de produtos vegetais principalmente para fins energéticos, a pecuária extensiva, a má utilização dos aqüíferos, lençóis freáticos e da mata ciliar resultando em assoreamento e contaminação ou poluição. Um bom exemplo é a contaminação dos lençóis freáticos causada por infiltração de dejetos industriais no solo.
Outra característica do semiárido é a alta salinização do solo devido à grande evapotranspiração e precipitação pluviométrica insuficiente para lavar os sais que se acumulam na zona agricultável do solo. A salinidade pode ter relações com a desertificação na medida em que resíduos de dessanilização de águas salobras são despejados ao acaso no solo, elevando a salinidade dos mesmos a níveis tão altos que impedem o crescimento de plantas cultivadas e nativas.
Além das secas, as zonas semiáridas do mundo caracterizam-se pela presença da desertificação, fenômeno natural cujas relações causais estão referidas ao clima e ao uso inadequado dos recursos naturais (solo, água e vegetação). Significa dizer que a semi-aridez, a desertificação e as secas constituem fenômenos naturais associados, cujos efeitos são potencializados pela ação do homem. A degradação ambiental nos espaços sujeitos a semi-aridez alcança seu limite com a desertificação.
Quadro atual de degradação
O principal bioma do semiárido, a Caatinga, já tem metade da sua vegetação original destruída. Em 2008, a vegetação remanescente da área era de 53,62%. Dados do monitoramento do desmatamento no bioma realizado entre 2002 e 2008 revelam que, neste período, o território devastado foi de 16.576 km², o equivalente a 2% de toda a Caatinga. A taxa anual média de desmatamento na mesma época ficou em torno de 0,33% (2.763 km²). Com uma área total de 826.411 km², a Caatinga está presente nos estados da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Os dois primeiros desmataram, sozinhos, a metade do índice registrado em todos os estados. Em terceiro e quarto lugar estão Piauí e Pernambuco. Já o estado de Alagoas, por exemplo, possui atualmente apenas 10.673 km² dos 13.000 km² de área de Caatinga originais. Os municípios que mais desmataram foram Acopiara(CE), Tauá (CE), Bom Jesus da Lapa (BA), Campo Formoso (BA), Boa Viagem (CE), Tucano (BA), Mucugê (BA) e Serra Talhada (PE).
Conservação
Ações necessárias para recuperação e conservação:
• Incentivar a criação de novas Unidades de Conservação que englobem as diversas fitofisionomias presentes nos biomas, inclusive áreas destinadas à recuperação da vegetação, além de áreas que garantam a proteção de encostas e corpos d’água;
• Criação de corredores ecológicos para interligar as áreas fragmentadas ou unidades de conservação;
• Investir no desenvolvimento de políticas públicas dirigidas à promoção de sistemas produtivos, atividades extrativistas sustentáveis e investimento na educação básica voltada à valorização e ao respeito à riqueza natural do semi-árido;
• Fomentar a realização de estudos integrando diversos grupos biológicos para entendimento de processos ecológicos, tais como reprodução de espécies vegetais e interações animais-plantas;
• Controlar a invasão da vegetação nativa por espécies exóticas.
Espécies ameaçadas presentes no semiárido
Um dos principais impactos ambientais que ocorrem no semiárido hoje é a extinção de várias espécies nativas tanto de flora como de fauna. A extinção é um processo natural que vem acontecendo desde a origem da vida, onde espécies se extinguem enquanto outras se especiam (processo de formação de novas espécies). A interferência do homem promove um aceleramento nesses processos de extinção sem que as espécies tenham chance de se adaptarem e, consequentemente, se especiarem.
Veja abaixo uma lista das principais espécies que se encontram ameaçadas de extinção no semi-árido:
Flora
Gomphrena chrestoides
Myracrodruon urundeuva > Aroeira-do-sertão
Schinopsis brasiliensis > Brauna, baraúna
Blepharodon hirsutum
Cynanchum morrenioides
Tabebuia selachidentata
Aechmea cariocae
Aechmea eurycorymbus
Orthophytum amoenum
Brasilicereus markgrafii
Cipocereus pusilliflorus
Coleocephalocereus purpureus
Discocactus horstii
Espostoopsis dybowskii
Facheiroa cephaliomelana ssp estevesii
Melocactus azureus > Cacto
Melocactus deinacanthus > Cacto
Melocactus glaucescens > Cacto
Melocactus pachyacanthus > Cacto
Micranthocereus auriazureus > Cacto
Rhynchospora warmingii
Syngonanthus bahiensis
Syngonanthus harleyii
Syngonanthus mucugensis > Sempre-viva-de-mucugê
Erythroxylum bezerrae > Pirunga, maçarenga
Erythroxylum pauferrense> Guarda-orvalho, pau-crioulo
Erythroxylum tianguanum
Isoetes luetzelburgii
Hyptis carvalhoi
Hyptis pinheroi
Hyptis simulans
Cattleya labiata > Catléia, parasita-roxa, orquídea
Cattleya tenuis > Orquídea
Thelyschista ghillanyi > Orquídea
Lippia bromleyana
Xyris almae
Xyris morii
Fonte: Ministério do Meio Ambiente. Lista oficial de espécies da flora ameaçadas de extinção
Invertebrados
Arachnida
Charinus troglobius > Aranha-chicote
Ianduba caxixe > Aranha
Ianduba paubrasil > Aranha
Ianduba vatapá > Aranha
Giupponia chagasi > Opilião
Gastropoda
Tomigerus (Biotocus) turbinatus > Caracol
Insecta
Coarazuphium cessaima > Besouro
Coarazuphium tessai >Besouro
Megasoma gyas rumbucheri > Besouro-de-chifre
Anfíbios
Amphibia
Adelophryne baturitensis > Rãzinha
Adelophryne maranguapensis > Rãzinha
Répteis
Reptilia
Cnemidophorus abaetensis > Lagartixa-de-Abaeté
Bothrops pirajai > Jararaca
Aves
Phaethornis ochraceiventris camargoi > Besourão-de-bico-grande
Thalurania watertonii > Beija-flor-das-costas-violetas
Thalasseus maximus > Trinta-réis-real
Picumnus limae > Pica-pau-anão-da-caatinga
dontophorus capueira plumbeicollis > Uru-do-nordeste
Iodopleura pipra leucopygia > Anambezinho
Procnias averano averano > Araponga-de-barbela
Dendrocincla fuliginosa taunayi > Arapaçu-pardo-do-nordeste
Xiphorhynchus fuscus atlanticus > Arapaçu-de-garganta-amarela-do-nordeste
Caryothraustes canadensis frontalis > Furriel-do-nordeste
Carduelis yarrellii > Pintassilgo-baiano
Automolus leucophthalmus lammi > Barranqueiro-do-nordeste
Sclerurus scansor cearensis > Vira-folhas-cearense
Synallaxis infuscata > Tatac
Xenops minutus alagoanus > Bico-virado-liso
Antilophia bokermanni > Soldadinho-do-araripe
Schiffornis turdinus intermedius > Flautim-marrom
Cercomacra laeta sabinoi > Chororó-didi
Herpsilochmus pectoralis > Chorozinho-de-papo-preto
Fonte: Aves da Caatinga
Mamíferos
Mammalia Felinos Leopardus pardalis mitis > Jaguatirica
Leopardus tigrinus > Gato-do-mato
Puma concolor greeni > Onça-vermelha, suçuarana, onça-parda
Morcego Platyrrhinus recifinus > Morcego
Primatas
Cebus xanthosternos > Macaco-prego-de-peito-amarelo
Callicebus barbarabrownae > Guigó
Callicebus coimbrai > Guigó-de-Coimbra-Filho
Roedores
Callistomys pictus > Rato-do-cacau
Phyllomys unicolor > Rato-da-árvore
Chaetomys subspinosus > Ouriço-preto
Xenarthra
Bradypus torquatus > Preguiça-de-coleira
Tolypeutes tricinctus > Tatu-bola
Myrmecophaga tridactyla > Tamanduá-bandeira
Fonte: Ambiente Brasil. Disponível em www.ambientebrasil.com.br
Fontes:
ARAÚJO, Francisca Soares; RODAL, Maria de Jesus Nogueira; BARBORA, Maria Regina de Vasconcelos. Análise das variações da biodiversidade do bioma caatinga: suporte a estratégias regionais para conservação. Ministério do Meio Ambiente, 2005.
MAJOR, István; SALES JR, Luis Gonzaga; CASTRO, Rodrigo. Aves da Caatinga. Associação Caatinga, 2004.
LEAL, Inara R.; TABARELLI, Marcelo; SILVA, José Maria Cardoso. Ecologia e conservação da caatinga. UFPE, 2003.
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