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Aspectos Sócioeconômico

Segundo Ab’saber (1999) o sertão nordestino é uma das regiões semiáridas mais povoadas do mundo. De acordo com o IBGE, 27 milhões de pessoas vivem atualmente no polígono das secas. A extração de madeira, a monocultura da cana-de-açúcar e a pecuária nas grandes propriedades (latifúndios) deram origem à exploração econômica. Na região Semiárida, ainda é praticada a agricultura de sequeiro.
O semiárido também tem sido histórica e social¬mente marcado pelas duradouras contradições e injustiças sociais. Os indicadores sociais nas áreas de saúde, educação e renda são os piores em relação à média nacional. De fato, os indicadores divulgados pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (2003) revelam que, entre 1970 e 1990, o Produto Interno Bruto (PIB) da região Nordeste praticamente triplicou, enquanto que o PIB per capita regional não acompanhou o mesmo ritmo, tendo passado de US$ 740 para US$ 1.486, no mesmo período. Com isso, segundo a Agência de Desenvolvimento, o produto por habitante do Nordeste continua sendo o mais baixo do Brasil, mesmo tendo melhorado nos últimos anos. Em relação ao Semiárido, a situação é inversa. No período de 1970 a 1998, houve uma queda do produto per capita que passou de 74,7% para 53,2% em relação ao produto per capita do Nordeste
O Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil de 2000 mostra que 81,8% dos municípios do Semiárido brasileiro, com 61,7% da população, têm baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Nenhum município do Semiárido está na faixa mais elevada do IDH (entre 0,800 e 1,000).
Apesar das características gerais reconhecidas, como irregularidade de distribuição das chuvas, temperatura elevada e limitações hídricas, o Semiárido brasileiro é uma realidade complexa, tanto no que se refere aos aspectos geofísicos, quanto à ocupação humana e à exploração dos recursos naturais.
Somado a isso, o reduzido conhecimento sobre as potencialidades da região, juntamente com o preconceito e desinformação sobre a realidade sertaneja do nordeste brasileiro, faz com que boa parte da opinião pública e até mesmo os seus habitantes acreditem na inviabilidade sócio-econômica e ambiental do semi-árido.
Vários estudos vêm sendo realizados para agregar subsídios a caracterização social e econômica do Semiárido. A citar, o Projeto Áridas, do Ministério da Integração Nacional; o Zoneamento Agroecológico do Nordeste, pela Emprapa Semiárido; o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, além de iniciativas de Organizações Não Governamentais.


Fontes:
AB’SÁBER, Aziz Nacib.  Sertões e sertanejos: uma geografia humana sofrida  Estudos Avançados 13 (36), 1999
BRASIL. Agência de Desenvolvimento do Nordeste, 2003
SILVA, Roberto Marinho Alves. Entre o Combate à Seca e a Convivência com o Semi-Árido: políticas públicas e transição paradigmática. Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 38, nº 3, jul-set. 2007

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